quarta-feira, 12 de julho de 2017

Participe da Semana de Teologia no Salão da Igreja São Francisco em Ermelino Matarazzo.




Quando?

  • De 17 a 21 de Julho de 2017, de segunda a sexta feira.

Onde?

  • Salão São Bento da Paróquia São Francisco de Assis, Rua Miguel Rachid, 997, Fone 2546.4254.

Que Horas?

  • A partir das 19:30 horas.

Convidados:
- Padre Antônio Manzato,   professor de teologia da PUC.
- Dom Pedro Luiz, bispo de Mogi das Cruzes.
- Professor Fernando Altemeyer, professor de teologia da PUC.
- Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau.
- E você...



  • Encerramento com a Santa Missa com os Padres do Setor Ermelino.



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Amigos e amigas, vocês recebem o convite da 19ª Semana de Teologia.

   

O tema desta será:

 POR UMA TEOLOGIA DA VIDA, DA JUSTIÇA E DO AMOR. Pelo fim de uma Teologia do ódio, da violência e da vingança. (Leia texto ABAIXO sobre a TEOLOGIA do ódio e da vingança).

Será uma imensa alegria sua presença e divulgação.
Toda semana será transmitida pela TV e Rádio no endereço:
www.portalsaofrancisco.org

Abraço fraterno:
Waldir, Messias, Deise, Kaique, Léia e Maurinho.



19ª. Semana de Teologia: 13 a 17 de Fevereiro de 2017.

No Salão da Igreja São Francisco de Assis, Rua Miguel Rachid, 997, Tel: 2546.4254.

Setor Pastoral de Ermelino Matarazo.  

Mais informações:

Messias: messiasguirado@.com.br;                            

Waldir: morewaldir@gmail.com;

padreticao@gmail.com;

Tel da São Francisco: 2546.4254.

Tema: POR UMA TEOLOGIA DA VIDA, DA JUSTIÇA E DO AMOR. Pelo fim de uma Teologia do ódio, da violência e da vingança. (Leia texto ABAIXO)


13 de Fevereiro, 2ª. Feira, 19,30 horas.

Tema: Campanha da Fraternidade 2017. "Fraternidade: Biomas brasileiros e defesa da vida".

O "GESTO CONCRETO" DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE de 2017 será: "Queremos o RIO TIETÊ Limpo e Vivo".
Palestrante: Padre Antonio Carlos Frizzo – Coordenador da CF Regional Sul 1 da CNBB
 

14 de Fevereiro, 3ª. Feira, 19,30 horas.

Tema: História da Igreja nos ilumina hoje:  "Vamos conhecer a Igreja no Século XX e o pré e pós Concilio Vaticano II"
Palestrante: Professor Doutor Fernando Altemeyer Junior – Teólogo da PUC SP


15 de Fevereiro, 4ª. Feira, 19,30 horas.

Tema: A Igreja do Papa Francisco hoje:
"Os desafios do século XXI e a voz Profética do Papa Francisco". Palestrante: Dom Angélico Sândalo Bernardino – de São Miguel e Bispo Emérito de Blumenau - SC


16 de Fevereiro, 5ª. Feira, 19,30 horas.

Tema: Curas, Milagres e Libertações.
"O sensacionalismo religioso e a grande Mídia". A Religião à serviço da Vida.
Palestrante: Padre José Arnaldo – Capelão do Mosteiro da Luz de São Paulo


17 de Fevereiro, 6ª. Feira, 19,30 horas.

Missa de encerramento da Semana de Teologia. POR UMA TEOLOGIA DA VIDA, DA JUSTIÇA E DA SOLIDARIEDADE.

Celebrantes: Padres do Setor Pastoral Ermelino Matarazzo e demais convidados: Ticão, Toninho, Mário, Lenildo, Nivaldo, Ivanildo, Genaldo, Zé Maria, Elialdo e Silvio e o Povo de Deus participante da 19ª. Semana de Teologia.

•    Em todos os dias da 19ª Semana de Teologia de Ermelino Matarazzo a presença mais importante é a sua, da sua Família e da sua Comunidade. Divulgue a SEMANA DE TEOLOGIA NA SUA COMUNIDADE. Paz e bem para você e sua Familia.



Mais informações: 

Deise:  deisecassijvc@gmail.com;   

Douglas: douglas@fibrati.com.br

Kaique: caiqueacolito_saofrancisco@hotmail.com;   

Maurinho: 2546.4254.

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A "Teologia" da violência e do ódio.

1.    Teologia é discurso. E discursos são eventos da linguagem. São "dis-cursos, isto é, um desvio do curso" (JOSGRILBERG, 2012, p.42). O estudo dos "desvios do curso" na teologia é mais que necessário, pois a linguagem religiosa tem um poder fortíssimo na sociedade. Um dos primeiros passos para esse estudo é repensar nossa hermenêutica bíblica e dar visibilidade as diversas vozes da Escritura Sagrada cristã.

2.    As instituições religiosas cristãs, em sua lamentavelmente maioria, produzem um discurso violento. Discursos que não promovem a paz, mas que instigam a guerra. Um discurso de ódio contra tudo e todos aqueles que são "diferentes" da sua normalidade imposta. A religião oficial tem a constante tarefa de "evitar e apagar a polissemia religiosa representada, nesse caso, pelos movimentos não conformistas" (RIVERA, 2015, p. 289). Criticam as diversas teologias, como a teologia negra, teologia feminista, teologia da libertação, teologia gay, teologia das religiões.  "A existência de um único discurso, negando a polifonia, é, por definição violência; esta é justamente o silenciamento de outras interpretações/discursos a respeito da realidade." (NETO, Adair)

3.    A violência simbólica e discursiva é tão nociva quanto a violência física, pois é ela que alimenta até o ponto de se tornar algo físico. Basta lembrar cada caso de violência física  e crimes advindo desses discursos:

4.    Os discursos que as mulheres são inferiores aos homens ; que a mulher é apenas a ajudadora, pobre coitada, que é o pescoço ; que o ministério delas é o lar, filhos e marido ; que a mulher deve tomar cuidado com as roupas e corpo ; que ela não deve ensinar na igreja e seminários ; que a mulher deve cuidar do marido, que se é traída é porque ela não cuidou direito ; que a pior coisa do mundo é ser mulher divorciada ; que não se pode nem pensar na palavra sexo e muito menos na palavra aborto: isso é  teologia da violência

5.    Os discursos que os homossexuais precisam de cura; que tem demônios no corpo ; que são aberrações ; que isso é anti-natural  ; que eles merecem o "inferno" ; as orações forçadas, as falsas profecias, as culpas impostas: isso é teologia da violência.

6.    Os discursos que os negros são amaldiçoados ;  os discursos que não colocam o racismo estrutural no púlpito ; a omissão do discurso sobre os jovens negros que são mortos dia após dia na periferia ; a invisibilização  da luta da mulher cristã negra, os discursos que demonizam a religião e cultura afro, "o discurso que impede negros cristãos de pensarem sua fé a partir dos referênciais de sua própria cultura e espiritualidade milenares" (ROCHA, Felipe): isso é teologia da violência.

7.    Os discursos que os pobres são pobres porque Deus quis assim; que são pobres porque não trabalham direito ; que só não é pobre quem dá dizimo ; que Deus predestinou para ser pobre ou rico ; que a pobreza é sinônimo de pecado, pois a prosperidade é ter dinheiro ; os discursos que menosprezam o pobre, ridicularizam os programas do governo ou propostas políticas em direção aos pobres: isso é teologia da violência.

8.    Os discursos que discriminam as diversas formas de crença; que apenas o cristão é que tem o Deus verdadeiro ; que as imagens são ídolos ; que todas as outras religiões são enganações de Satanás e só o cristianismo é santo ; que tem que repreender os espíritos das outras religiões ; que não se deve aceitar comidas de outras religiões, pois pode estar consagrada a outros deuses: isso é teologia da violência.

9.    Imagem-discurso de-sobre Deus
•    Teologia é discurso sobre Deus. Mas quem é esse Deus de que tanto se fala? Qual é a imagem dele? Nós somos a imagem e semelhança de Deus ou Deus é a nossa     imagem e semelhança? É esse "Deus" que promove ódio e violência que existe? Para o filósofo Jack Caputo, "Na religião, o amor de Deus está exposto habitualmente ao perigo de confundir-se com a profissão de alguém ou o ego de alguém, ou o gênero de alguém, ou a política de alguém, ou a ética de alguém, ou o esquema metafísico favorito de alguém, ao qual este se sacrifica de maneira sistemática. Então, ao invés de fazer sacrifícios pelo amor de Deus, a religião se inclina a fazer um sacrifício do amor de Deus" (Caputo, 2005: 121, tradução Jonathan Menezes).

10.    Sempre projetamos nossas aspirações nesse Sagrado. E assim o discurso oficial da grande parte das igrejas massacra a diversidade por uma questão antropomórfica de Deus: homem, branco, velho, hétero, rico. E além da leitura bíblia feita com essa imagem de Deus, é necessário relembrar que o a Bíblia é um testemunho das comunidades de fé a respeito das experiências religiosas com o Sagrado, isto é, está sujeita a suspeita. A hermenêutica da suspeita visa questionar motivações da escrita, "uma vez que todo discurso envolve interesses em uma ordem de coisas cujas raízes não são dadas explicitamente. O texto tanto revela como esconde. O texto possui sempre uma dimensão ideológica, bem como toda interpretação […] As hermenêuticas da suspeita funcionam como procedimentos reveladores daquilo que se dissimula o texto" (JOSGRILBERG, 2012, p.42).

11.    O processo de interpretação de texto é algo que deve ser levado em conta nas igrejas. O Reverendo Luiz Carlos Ramos disse uma vez que é necessário uma leitura honesta das Escrituras. O que seria essa leitura honesta? Uma leitura que leva em conta todos os aspectos da crítica literária, histórica, cultural, entre outros inúmeros fatores do texto. O pensador Paul Ricoeur dizia que "a análise do discurso religioso não deve começar com o nível da afirmação teológica" (2008, p.86) mas abranger todo o aspecto dos gêneros literários , dos níveis de discurso, para que sejam neutralizados para que aí sim se possa extrair algo de teológico neles (RICOEUR, 2008, p.85). É interessante que muitos daqueles que destilam ódio e intolerância pelas redes sociais já possuem essas ferramentas para a análise de texto, porém, as ferramentas não significam nada. O olhar é o que determina a imagem. O olhar é um ato de escolha e um ato político. Olhamos o que nos é conveniente, e por mais que tenhamos inúmeras ferramentas, escolhemos fechar os olhos para o que os textos dizem. Se escolhe dizer que a Bíblia é revelada e que por isso as palavras são imutáveis e devem ser levadas na literalidade. Entretanto, é necessário relembrar que na própria Escritura os discursos sobre a divindade são diversos e com diferentes significados que "a noção de revelação não poderá mais ser formulada em uma forma monótona e uniforme que pressupomos quando falamos da relevação bíblica" (RICOEUR, 2008, p. 87), e assim se chegará à conclusão que a revelação é polissêmica e polifônica.

12.    Os místicos estavam corretos sobre as imagens de Deus: devem ser eliminadas. As imagens de Deus, na verdade, são imagens de si próprio. Por isso o Mestre Eckhart orava: "Deus, livrai-me de Ti". Quem se apega as imagens que tem de Deus não está disposto a realmente experimentá-lo. Experimentá-lo como evento que transforma a existência, porém, sem realmente saber o porquê. Quem se apega as palavras sobre Deus não tem tempo para contemplá-lo no cotidiano da vida, nas coisas simples, nos pequenos milagres diários. Quem sabe além das imagens de Deus não devamos abandonar a palavra Deus também.

13.    Deus: palavra polissêmica – cheia de sentidos, cheiros, sabores ; palavra polifônica cheia de sons, melodias, silêncios. Porém, esse Deus "morre logo que se converte num acessório cultural ou num ideal humano" (VAHANIAN, 1968, p.195).  A teóloga Ivone Gebara escreve em seu artigo "Deus uma palavra escorregadia…" o seguinte parágrafo.

•    "E se não usássemos a palavra DEUS? Se a deixássemos descansar para recuperar sua força e vitalidade? Se apagássemos ou colocássemos entre parêntesis, ao menos provisoriamente essa palavra dos dicionários e da linguagem cotidiana, sobretudo da política partidária? E, se não achássemos mais que as igrejas e suas autoridades públicas tivessem o privilégio maior e a verdade mais profunda em relação ao "conhecimento de Deus"? E se tentássemos entender o que uns e outros querem dizer quando empregam essa escorregadia palavra? Sim escorregadia palavra porque portadora de escorregadios significados. Escorregadia visto que parece ter um só significado, mas é multidão. Multidão de significados para os que a utilizam e para os que calam sobre ela. Escorregadia porque nos conduz a um terreno movediço que nos faz cair em contradições contínuas frente a frágil realidade que somos e que vivemos." (GEBARA, 2016)

14.    O discurso da violência prevalece quando tentamos definir Deus segundo nossa imagem e semelhança e utilizamos esse "poder metafísico-sobrenatural" para obter nossos próprios benefícios, sejam eles pessoais ou da comunidade de fé. Talvez a tarefa da teologia seja aprender a se despir da própria ideia de THEOS LOGIA. Quanto mais a teologia se fecha em si mesma, mais ela reproduz a cultura de exclusão e violência. Pode ser que ao invés das igrejas discursarem sobre Deus e sobre como as pessoas devem se relacionar com ele, elas devessem simplesmente deixar o curso do rio fluir naturalmente, sem dis(viar-o)curso.

15.    Discurso-teologia da caridade e paz
•    Para ser possível abandonar um discurso teológico da violência o cristianismo deve se libertar do seu caráter fundamentalista e idólatra da Bíblia. Existem diversas leituras da Bíblia, mas em suma podem ser divididas em duas: as que promovem vida e comunhão e as que promovem morte e divisão. O filósofo Gianni Vattimo propõe a leitura da caridade, inspirada pelo teólogo medieval Gioacchino da Fiore. Para o filósofo "a única coisa que conta é a caridade; de fato, somente a caridade constituiu o limite e o critério da interpretação espiritual da Escritura" (VATTIMO, 2004, p. 66).

16.    A leitura da caridade, ou espírito, é a leitura que permite as múltiplas vozes interpretativas. Uma leitura que promove libertação dos discursos de ódio, violência, opressão e intolerância. Não é possível falar hoje de teologia, cristianismo no singular, mas sim de teologias e cristianismos. E a pluralidade da leitura permite a abertura do Jesus das amarras da fria teologia fundamentalista.

17.    Harvey Cox, teólogo estadunidense, dizia que a Igreja deve ser a vanguarda de Deus, porém só conseguirá tal proeza se der continuidade com a missão histórica de Jesus. E coloca uma função quádrupla da Igreja:
1.    Kerigma: "A Igreja há de proclamar a liberdade e a adultez do homem que recebeu de Deus a responsabilidade do mundo".
2.    Diakonia: "A Igreja há de conceber a sua missão como serviço ao homem no tratamento de todas as suas feridas e fraturas individuais e coletivas"
3.    Koinonia: "A Igreja há de ajudar a criar a comunidade entre os homens, colaborando com todos os movimentos que se esforçam por caminhar para uma meta nova e melhor da história."
4.    Exorcismo: "A Igreja há de se assumir a tarefa de tirar da humanidade atual os maus     "demônios" que a possuem no campo do trabalho e da cultura."(COLOMER, 1972, p. 149)

18.    Atualmente a leitura predominante das igrejas é a leitura do vale de ossos secos. A sequidão espiritual, mística e poética do cristianismo leva à uma religião idólatra, mesquinha, consumista, violenta e fundamentalista. A superação do discurso e teologia da violência viria se houvesse a compreensão de que os ensinamentos do cristianismo não estão focados na busca no deus-metafísico, mas sim na busca pelo seu próximo, no deus-que-se-fez-próximo. Jesus se fez ossos, nervos, carne, pele. A igreja, da mesma forma, deve se tornar ossos, nervos, carne e pele. Quando a Igreja cumpre suas funções para com a sociedade na luta por justiça, igualdade, tolerância, paz, ela se torna a Igreja de Jesus.  "A unidade da igreja de Jesus acontece e perpassa a busca pela unidade da totalidade social (ossos, nervos, carne, pele) organicamente a serviço da vida, disposta a reinventar novas formas de poder e novas formas de ser igreja." (CARDOSO)

19.    Bibliografia
•    CAPUTO, J. D. Truth: philosophy in transit (eBook). London: Penguin, 2013
•    COLOMER, S. J., Eusebi, A morte de Deus, Tavares Martins, Porto, 1972.
•    GEBARA, Ivone. Deus uma palavra escorregadia… Disponível em < http://www.ihu.unisinos.br/noticias/555932-deus-uma-palavra-escorregadia > Acesso em <04 de jan de 2017 >
•    JOSGRILBERG, Rui de Souza. Hermenêutica fenomenológica e a tematização do sagrado. In NOGUEIRA, Paulo. Linguagens da religião – desafios, métodos e conceitos centrais. São Paulo: Paulinas, 2012.
•    MENEZES, Jonathan. Da tolerância à caridade: sobre religião, laicidade e pluralismo na atualidade. Estudos Históricos Rio de Janeiro, vol. 28, no 208 55, p. 189-209, janeiro-junho 2015. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/eh/v28n55/0103-2186-eh-28-55-0189.pdf&gt; Acesso em < 04 de jan de 2017 >
•    PEREIRA, Nancy Cardoso. Superar a Violência! Por uma Cultura de Paz! Missão ecumênica, inter-religiosa e inter-cultural. Disponível em < https://www.academia.edu/5696960/Superar_a_Viol%C3%AAncia_Por_uma_Cultura_de_Paz_ > Acesso em < 05 de jan de 2017 >
•    RICOEUR, Paul. Ensaios sobre a interpretação bíblica. São Paulo: Fonte editorial, 2008
•    RIVERA, Dario. Sentidos das linguagens religiosas: perspectivas sociológicas. In NOGUEIRA, Paulo. Religião e linguagem: abordagens teóricas interdisciplinares. São Paulo: Paulus, 2015
•    VAHANIAN, Gabriel. La muerte di Dios: La cultura de nuestra época poscristiana. Barcelona: 1968.
•    VATTIMO, Gianni. Depois da cristandade: por um cristianismo não religioso. Rio de Janeiro: Record, 2004.
•    (E diálogos com Felipe Rocha e Adair Neto acerca do tema).
•    FONTE:  https://angeliquisses.wordpress.com/2017/01/06/a-teologia-da-violencia/

Mais informações:

Messias: messiasguirado@.com.br;  

Waldir: morewaldir@gmail.com;

padreticao@gmail.com;

Tel da São Francisco: 2546.4254.

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Papa Francisco: "Não a uma economia que mata. Sim a uma economia de comunhão!"
   
   

1.    "Economia e comunhão. Duas palavras que a cultura atual conserva bem separadas e, frequentemente, considera opostas. Duas palavras que vós, ao contrário, unis, aceitando o convite feito há 25 anos por Chiara Lubich, no Brasil, quando, diante do escândalo da desigualdade na cidade de São Paulo, pediu aos empresários que se tornassem agentes de comunhão."

2.    Com essas palavras o papa Francisco saúda os 1200 empresários, jovens e estudiosos reunidos para festejar os 25 anos de vida da Economia de Comunhão: "Há tempo eu estou sinceramente interessado ao vosso projeto." "Vós fazeis ver, com a vossa vida, que economia e comunhão tornam-se mais belas quando se coloca uma ao lado da outra. Mais bela a economia, certamente; mas, mais bela torna-se também a comunhão, porque a comunhão espiritual dos corações é ainda mais plena quando se torna comunhão de bens, de talentos, de lucros."

3.    Diante de um público extremamente atendo, o papa Francisco expressou três votos e fez recomendações.

4.    Primeiro, o dinheiro. "É muito importante que no cerne da Economia de Comunhão exista a comunhão dos vossos lucros. A Economia de Comunhão é também comunhão dos lucros, do dinheiro, expressão da comunhão de vida." O Papa disse que o dinheiro: "torna-se ídolo quando se torna o objetivo (…). Foi Jesus que atribuiu ao dinheiro a categoria de Senhor." E ainda: "Entende-se, portanto, o valor ético e espiritual da vossa escolha de colocar em comum os lucros. O melhor e o mais concreto modo para não fazer do dinheiro um ídolo é partilhar o mesmo com outros, especialmente com os pobres (…). Quando partilhais e doais os vossos lucros, estais fazendo um gesto de alta espiritualidade, dizendo com os fatos, ao dinheiro: tu não és Deus, tu não és senhor, tu não és patrão!"

5.    Segundo, a pobreza. "O principal problema ético do capitalismo é a criação de descartáveis para, depois, procurar escondê-los ou cuidar para que não sejam mais vistos (…). Os aviões poluem a atmosfera, mas, com uma pequena parte do dinheiro das passagens plantarão árvores, para compensar parte do dano à criação. As empresas dos jogos de azar financiam campanhas para cuidar dos jogadores patológicos que elas criam. E, no dia em que as empresas de armas financiarão hospitais para cuidar das crianças mutiladas pelas suas bombas, o sistema terá atingido o seu ápice. A hipocrisia é isto!" Diante desta abominação: "a Economia de Comunhão, se quiser ser fiel ao seu carisma, não deve somente curar as vítimas do sistema, mas, construir um sistema no qual as vítimas sejam sempre menos, sistema no qual, possivelmente, não existam mais vítimas. Enquanto a economia produzir uma vítima e existir uma só pessoa descartável, a comunhão não é ainda realizada, a festa da fraternidade universal não é plena."

6.    Terceiro, o futuro. "Esses 25 anos da vossa história demonstram que a comunhão e a empresa podem crescer e estar juntas", uma experiência limitada ainda a um pequeno número de empresas, se comparado ao grande capital do mundo, "Mas, as transformações na ordem do espirito, portanto, da vida, não são ligadas aos grandes números. O pequeno rebanho, a lâmpada, uma moeda, um cordeiro, uma pérola, o sal, o fermento: são essas as imagens do Reino que encontramos no Evangelho. Não é necessário ser muitos para mudar a nossa história, a nossa vida: basta que o sal e o fermento não se tornem desnaturados (…), o sal não exerce a sua função crescendo em quantidade; ao contrário, muito sal torna a comida salgada; mas, salvando a sua 'alma', a sua qualidade." E, lembrando o tempo no qual não existia geladeira e se partilhava porções de fermento para fazer um novo pão, o Papa estimulou os empresários da EdC a "a não perder o princípio ativo, a 'enzima' da comunhão", praticando "a reciprocidade." "A comunhão não é somente divisão, mas, também, multiplicação dos bens, criação de novo pão, de novos bens, de novo Bem, com letra maiúscula." E recomendou: "Doem-na a todos, e, em primeiro lugar, aos pobres e aos jovens (…). O capitalismo conhece a filantropia, não a comunhão."

7.    E ainda: "Vós já fazeis essas coisas. Mas, podeis partilhar mais os lucros para combater a idolatria, transformar as estruturas para prevenir a criação das vítimas e dos descartáveis; doar ainda mais o vosso fermento para fermentar o pão de muitas pessoas. Que o "não" a uma economia que mata torne-se um "sim" a uma economia que faz viver, porque partilha, inclui os pobres, usa os lucros para criar comunhão." "Faço votos de que continueis no vosso caminho, com coragem, humildade e alegria… Continuar a ser semente, sal e fermento de outra economia: a economia do Reino, no qual os ricos sabem partilhar as suas riquezas e os pobres são chamados bem-aventurados."

Esta é a nova consciência com a qual se retoma a caminhada, com alegria e renovado compromisso.


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"A fé faz milagres, não negócios", diz Papa Francisco.

Uma fé autêntica, capaz de perdoar e aberta ao próximo. Pelo contrário, Jesus condena "o egoísmo espiritual" e a redução da religião a mero "negócio". Devem ter cuidado todos aqueles que utilizam "as coisas de Deus para o próprio proveito".


1.    O Evangelho do dia propõe "três modos de viver" nas imagens da figueira que não dá frutos, nos mercadores do Templo e no homem de fé, disse o Papa.

2.    "A figueira – afirmou o Papa – representa a esterilidade, ou seja, uma vida estéril, incapaz de dar qualquer coisa. Uma vida que não frutifica, incapaz de fazer o bem".

3.    "Vive para si: tranquila, egoísta, não quer problemas – prosseguiu. E Jesus maldiz a figueira porque é estéril, porque não fez nada para ajudar, que vive sempre para si mesma, para que não lhe falte nada. No fim, essas pessoas se tornam neuróticas...! Jesus condena a esterilidade espiritual, o egoísmo espiritual. 'Eu vivo para mim, que a mim nada falte e os outros que se virem!'"

4.    A outra forma de viver, explicou o Papa, "é a daqueles exploradores, dos negociantes no Templo. O Papa explicou que esses exploram até mesmo o lugar sagrado de Deus para fazer negócios: trocam moedas, vendem os animais para os sacrifícios, têm até um sindicato para defendê-los. Isso não somente era tolerado, mas permitido pelos sacerdotes do Templo". São "aqueles que fazem da religião um negócio", afirmou o Papa Francisco.

5.    Na Bíblia está a história de um sacerdote que "obrigavam as pessoas a darem ofertas e ganhavam em cima disso, também dos pobres. E Jesus não economiza nas palavras: 'A minha casa será chamada casa de oração. Vocês, ao contrário, fizeram dela um covil de ladrões'".

6.    "O povo peregrinava ao Templo para pedir a bênção do Senhor, fazia um sacrifício: e lá, aquelas pessoas eram exploradas! Os sacerdotes não os ensinavam a rezar, não ministravam catequese… Era um covil de ladrões. Paguem, entrem… Realizavam os rituais vazios, sem piedade. Não sei se nos fará bem pensar se conosco acontece algo do gênero em qualquer lugar. Não sei. Usar as coisas de Deus para o benefício próprio".

7.    A 3ª. forma de viver é "a vida de fé", como indica Jesus: "Tenham fé em Deus. Se alguém disser a esta montanha: 'ergue-te e lança-te ao mar', e não duvidar no coração, mas crer que o que diz se realiza, assim lhe acontecerá'. Tudo o pedirem na oração, "peçam-no com fé e acontecerá. Acontecerá exatamente o que pedimos com fé".

8.    "É o estilo de vida da fé. 'Pai, o que devo fazer para isso?' 'Mas peça-o ao Senhor para que te ajude a realizar coisas boas, mas com fé. Somente uma condição: quando vocês rezarem pedindo isso, se vocês tiverem algo contra alguém, perdoem. É a única condição, para que também o vosso Pai que está nos céus vos perdoe as vossas ofensas'. Este é o terceiro estilo de vida. A fé, a fé para ajudar os demais, para se aproximar de Deus. Esta fé faz milagres".

9.    O Papa concluiu com uma oração: "Peçamos hoje ao Senhor... que nos ensine este estilo de vida de fé e que nos ajude a não cair jamais – nós, a cada um de nós, e a Igreja – na esterilidade e no comércio".

•    19ª. Semana de Teologia na Igreja São Francisco, Ermelino Matarazzo, Fevereiro de 2017.

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Por: Padre Ticão.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A partir dos nossos estudos sobre a escatologia;Sobre a importância da escatologia para a fé, há esperança e o amor (ágape) cristão?

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A escatologia é parte fundamental da teologia porque é fundamental para
as nossas vidas. As promessas de Cristo se cumprem com a nossa salvação,
com "o que há depois".
Se durante certo tempo a ênfase escatológica foi apenas no pecado (que
sempre será parte fundamental, mas não precisa ser o único foco), a
escatologia se desenvolveu para incluir uma visão "positiva". Não no
sentido de "bons sentimentos" ou ilusão, mas no sentido de entender o
outro lado, o do sacrifício salvífico de Cristo como o centro da
escatologia, já que é o fato que nos permite a salvação. As duas visões,
enfim, se completam.
A modernidade excessivamente "sensível" não gosta da idéia da danação,
mas ela é parte do amor de Cristo. É a ação humana que permite ao homem
escolher (uso do livre-arbítrio) dizer 'não' ao amor de Cristo, e
permanecer a eternidade longe dEle. É uma escolha, mas não é parte do
plano de Deus para o homem. Deus quer a salvação.
O amor de Cristo é nossa esperança de salvação. A Parusia, a vinda
gloriosa de Cristo, é o momento em que o nosso 'sim' a Deus valerá uma
eternidade no amor do Senhor. É exatamente por isso que a escatologia
não é apenas um estudo, uma teoria, mas uma prática de vida que conduz à
eternidade com o Pai, e deve ser lembrada diariamente como um alerta
sobre um dia que não sabemos quando será, mas que é decisivo para o
nosso futuro. É o dia do sim para o amor divino.
A fé e esperança (BENTO XVI, 2007, n.2), e a esperança cristã é a
esperança da fé. Por um lado, pode-se garantir que a esperança é uma
virtude, logo ela não acontece apenas pelo ímpeto humano, mas é
suscitada pelo próprio Deus, portanto, ela é dom. Por outro lado, está
esperança que emana de Deus e toca o mais íntimo do ser humano
confronta-se com um mundo reverso no qual aquele que espera e vive dessa
esperança sente-se desafiado a dar as suas razões. É ter esperança
contra toda a esperança ( Rm 4,18). Vista desta forma, a esperança
cristã provoca o ser humano a agir, coloca-o em movimento, para frente,
em direção a seu Criador.
Aquele que crê em Deus e em sua promessa, espera o cumprimento maior da
promessa divina, que é a salvação. O ser humano é movido sempre pela
esperança, e, inclusive, a grande esperança da Eternidade.
Os cristãos creem que Deus pode dar sentido a sua vida. Como dizia Santo
Agostinho afirmava:
"Inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti"
Enfrentar o tema da Escatologia é andar por terreno delicado, pois supõe
necessariamente passar pela morte para então "vasculhar" as searas
próprias dos eventos que inaugura. Mas na verdade não deveria ser um
problema, em seu tratando de cristãos, porque somos conscientes da
salvação garantida por Cristo, sabemos que essa morte já foi por Ele
definitivamente vencida, e por isso sabemos que a nossa sede de vida não
é frustrada. A esperança está incorporada a nós, porque Cristo é nossa
Esperança! Desta forma, podemos diluir na Esperança o temor da finitude,
que se torna uma categoria meramente temporal. Neste caso, cabe-nos
perceber o sentimento de finitude como a oportunidade de nos
compreendermos peregrinos, pessoas chamadas à conversão, a galgar a
santidade, porque somos vocacionados pelo próprio Deus à vida plena
nEle. Não temos aqui morada permanente; é preciso, assim, cuidar para
que estejamos preparados para o encontro com o Senhor, no dia e hora que
só Ele sabe. E este cuidado deve se estender àqueles que nos rodeiam,
que precisam conhecer também a misericórdia divina; ela, que suplanta a
justiça. O amor se faz assim caridade e promove, no outro, igualmente, a
Esperança! Assim, em comunhão e fraternidade, podemos todos caminhar na
fé, amadurecendo-a dia a dia e já desejosos - não mais temerosos das
realidades que a morte inaugurará para todos e cada um de nós...


Por: Edson Moraes De Araújo(Chepa)

domingo, 22 de janeiro de 2017

A partir dos nossos estudos sobre a escatologia; Sobre a importância da escatologia para a fé, há esperança e o amor (ágape) cristão?

Precisamos em nossas comunidades provocar uma reflexão que estimule as
pessoas a encontrarem no Evangelho a Esperança como alimento para
permanecer na caminhada. Ela é realmente essencial para a partir dela
experimentar o amor incondicional na Pessoa de Cristo no irmão.
A escatologia é fundamentalmente importante quando pretendemos
responder a uma pergunta básica que todos, em algum momento da vida,
irão fazer: o que acontece ou o que há depois da morte?
No Catecismo da Igreja Católica o que iremos encontrar: "Deus,
infinitamente Perfeito e Bem-aventurado em si mesmo, em um desígnio de
pura bondade, criou livremente o homem para fazê-lo participar de sua
vida bem-aventurada".
Todos os seres humanos tem uma finalidade que supera a sua natureza, e
assim todos são chamados por Deus para participarem de Sua natureza divina.
Esta deve ser a esperança de todos: um dia estarmos reunidos juntos a
Deus de uma forma plena e eterna.
O estudo então da escatologia nos leva a refletir, sobretudo nesta
realidade.
Sobre a fé, esperança e amor, São Paulo na I Carta aos Corí¬ntios (13,
8) deixa bem claro:
"A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das
lí¬nguas cessarão, o dom da ciência findará.
Em sentido escatológico podemos entender que a caridade jamais acabará¡
no sentido de que aqueles que já¡ estão na Glória (Igreja Triunfante)
podem continuar fazendo caridade. De que forma? Intercedendo por todos
que ainda estamos na Igreja Peregrina.
A cultura atual busca de todas as formas deixar na deslembrança a morte
e as indagações que a ela estão fatalmente ligadas. Uns acreditam que há
uma vida depois da morte, a idealizam novamente na terra pela
reencarnação, acreditando que o curso da nossa vida não seria único. A
morte envolve o homem. A escatologia nos faz mergulhar na certeza da
nossa fé cristã que o Cristo ressuscitado é a causa da nossa
ressurreição futura.
Ser cristão é viver as pequenas esperanças a partir da grande esperança
que é Jesus Cristo. É viver a esperança de uma eternidade feliz, em
todas as lutas e sofrimentos diários.
O cristianismo oferece uma resposta e um fundamento para nossa
esperança. Afirma que as esperanças humanas têm sentido. E o sentido é
Jesus Cristo. Ele é o futuro do mundo, da história e da vida de cada
pessoa. Futuro que foi antecipado e com firmado com a sua Ressurreição.
O ponto de chegada de nossas ações, a Esperança de nossas esperanças
diárias, o futuro de nossa vida que já aconteceu na História.
A escatologia cristã emerge do anúncio do Reino de Deus; não apenas da
doutrina pregada, mas da vivida por Jesus Cristo, que é a nascente da
qual emergem os conceitos e a reflexão escatológica. Como a Escatologia
é o estudo sobre as últimas e definitivas realidades que Deus prepara
para o ser humano, ela torna-se muito importante para fundamentar o
cristão na vivência da fé, da esperança e do amor (ágape).



Edson Moraes De Araújo(Chepa)