terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A partir dos nossos estudos sobre a escatologia;Sobre a importância da escatologia para a fé, há esperança e o amor (ágape) cristão?

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A escatologia é parte fundamental da teologia porque é fundamental para
as nossas vidas. As promessas de Cristo se cumprem com a nossa salvação,
com "o que há depois".
Se durante certo tempo a ênfase escatológica foi apenas no pecado (que
sempre será parte fundamental, mas não precisa ser o único foco), a
escatologia se desenvolveu para incluir uma visão "positiva". Não no
sentido de "bons sentimentos" ou ilusão, mas no sentido de entender o
outro lado, o do sacrifício salvífico de Cristo como o centro da
escatologia, já que é o fato que nos permite a salvação. As duas visões,
enfim, se completam.
A modernidade excessivamente "sensível" não gosta da idéia da danação,
mas ela é parte do amor de Cristo. É a ação humana que permite ao homem
escolher (uso do livre-arbítrio) dizer 'não' ao amor de Cristo, e
permanecer a eternidade longe dEle. É uma escolha, mas não é parte do
plano de Deus para o homem. Deus quer a salvação.
O amor de Cristo é nossa esperança de salvação. A Parusia, a vinda
gloriosa de Cristo, é o momento em que o nosso 'sim' a Deus valerá uma
eternidade no amor do Senhor. É exatamente por isso que a escatologia
não é apenas um estudo, uma teoria, mas uma prática de vida que conduz à
eternidade com o Pai, e deve ser lembrada diariamente como um alerta
sobre um dia que não sabemos quando será, mas que é decisivo para o
nosso futuro. É o dia do sim para o amor divino.
A fé e esperança (BENTO XVI, 2007, n.2), e a esperança cristã é a
esperança da fé. Por um lado, pode-se garantir que a esperança é uma
virtude, logo ela não acontece apenas pelo ímpeto humano, mas é
suscitada pelo próprio Deus, portanto, ela é dom. Por outro lado, está
esperança que emana de Deus e toca o mais íntimo do ser humano
confronta-se com um mundo reverso no qual aquele que espera e vive dessa
esperança sente-se desafiado a dar as suas razões. É ter esperança
contra toda a esperança ( Rm 4,18). Vista desta forma, a esperança
cristã provoca o ser humano a agir, coloca-o em movimento, para frente,
em direção a seu Criador.
Aquele que crê em Deus e em sua promessa, espera o cumprimento maior da
promessa divina, que é a salvação. O ser humano é movido sempre pela
esperança, e, inclusive, a grande esperança da Eternidade.
Os cristãos creem que Deus pode dar sentido a sua vida. Como dizia Santo
Agostinho afirmava:
"Inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti"
Enfrentar o tema da Escatologia é andar por terreno delicado, pois supõe
necessariamente passar pela morte para então "vasculhar" as searas
próprias dos eventos que inaugura. Mas na verdade não deveria ser um
problema, em seu tratando de cristãos, porque somos conscientes da
salvação garantida por Cristo, sabemos que essa morte já foi por Ele
definitivamente vencida, e por isso sabemos que a nossa sede de vida não
é frustrada. A esperança está incorporada a nós, porque Cristo é nossa
Esperança! Desta forma, podemos diluir na Esperança o temor da finitude,
que se torna uma categoria meramente temporal. Neste caso, cabe-nos
perceber o sentimento de finitude como a oportunidade de nos
compreendermos peregrinos, pessoas chamadas à conversão, a galgar a
santidade, porque somos vocacionados pelo próprio Deus à vida plena
nEle. Não temos aqui morada permanente; é preciso, assim, cuidar para
que estejamos preparados para o encontro com o Senhor, no dia e hora que
só Ele sabe. E este cuidado deve se estender àqueles que nos rodeiam,
que precisam conhecer também a misericórdia divina; ela, que suplanta a
justiça. O amor se faz assim caridade e promove, no outro, igualmente, a
Esperança! Assim, em comunhão e fraternidade, podemos todos caminhar na
fé, amadurecendo-a dia a dia e já desejosos - não mais temerosos das
realidades que a morte inaugurará para todos e cada um de nós...


Por: Edson Moraes De Araújo(Chepa)

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